quinta-feira, 16 de julho de 2026

despedida

Talvez meu pai não saiba, ou então não entenda isso, mas é a última vez que nos vemos. Essa viagem é uma despedida. Eu não quero ficar chorando sobre culpas, sobre não ter sido mais presente, sobre não ter vindo mais. Eu quero chorar sobre alegrias, sobre todas as vezes que estivemos próximo, sobre nossas lembranças, sobre todas as vezes que eu disse (e não disse) que o amava.
O herói da minha infância. O homem que ia me pegar na escola nas sextas-feiras e estacionava o carro longe pra não fazer engarrafamento na saída da aula. O que me levava ao parque, cheio de criança no carro, e brincava de explorar. O que me contava histórias desde que eu era neném de colo. Diziam que eu não entendia, mas ele insistia sempre dizendo que um dia eu ia entender e já teria todo o repertório na minha cabeça. O jornalista que me levava nas redações e me fazia fazer correções gramaticais nos textos, a pegar material cru de agências de notícias e adaptar para ser publicado, e juro que já teve matéria que saiu exatamente como reescrevi! O homem que me contava histórias do seu tempo como clandestino na luta armada, da suas prisões e torturas. O homem que me ensinou a ponderar as coisas, a ser mais leve. Que escrevia peças de teatro para que eu encenasse com meus vizinhos de condomínio. Que me deu de aniversário de oito anos meu primeiro livro pr'eu ler só (O Menino do Dedo Verde). Lembro dele começando a ler, me empolgando, parando e dizendo que se eu quisesse saber mais teria que ler só, e assim o fiz! O homem que não envelhece, que não tem rugas e que me dizia que idade é estado de espírito.
Durante esses anos que estive longe nunca deixei de sentir sua falta, nem nunca deixarei.
E posso nem saber demonstrar isso direito.
Você e minha mãe foram, são e serão os melhores pais que eu poderia ter.
Pai, eu te amo.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

meu pai

Falei, na terapia, sobre essa visita ai meu pai ser uma despedida.
Talvez seja a última vez que eu o veja. 
Ele me perguntou por quê eu não venho morar com ele. E senti, nessa frase, que ele me ama.
Já sinto falta e saudade.
E não sei lidar direito com essa despedida.
Tento fingir que não é. Mas, quando estou só, as lágrimas me denunciam.
Te amo, meu pai.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

como se

Meia noite 
Me pego pensando em vocês dois, em nós três, 

Como se o desejo de desejar fosse além de uma explosão infinita
Cheia de possibilidades
Órbitas criando novas universalidades
Universos  mais uma vez infinitos 
Como um tríade equilíbrio 
Como uma sinfonia 
Como emoção de queda nova de cachoeira
Água, suor e calor



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

luzes na janela de um quarto limpo

Há algo agradável numa luz refletida num quarto recém limpo.
Quando eu era criança gostava de observar as janelas das casas e me perguntar como seria lá dentro, as cores das paredes, os móveis, se havia quadros ou não, quem sabe uma flor na mesa da sala. Eu olhava de binóculo da janela do quarto do meu avô. E me sentia íntima de todos aqueles lares que meu olhar alcançava. 
Quando criança gostava também dos playgrounds dos prédios. Ficava me imaginando explorando aqueles lugares. Às vezes nem eram playgrounds realmente, mas uma pequena área que fosse já ativava minha imaginação! 
E, ainda hoje, me pego, às vezes, olhando janelas distantes.

quando as borboletas voltam a voar

Eu não procurava o amor, pelo contrário, eu fugia dele. Ao fugir desse imagináveis amores eu fugia também da possibilidade de poder tê-los.
Minhas borboletas voltaram a voar, percebi isso pelo sorriso que abri quando vi sua mensagem. Não sei pra onde essas borboletas vão, nem se lá se demorarão, não sei de nada, nem sobre nada quero conjecturar. Só quero viver esse sorriso, só quero viver essa sorte, até o momento em que ela findar!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

meu pedaço de sorte

É tão bom paquerar, né?!
E há tempos eu não paquerava. Ninguém me interessava. Mas ontem foi como uma mágica, um golpe de sorte! Foi divertido e leve! 
Antes de sair de casa eu tive uma crise de ansiedade, deu sono, deu vontade de desistir. Mas tinha algo dentro de mim dizendo pr'eu ir. Vai! E eu fui! E tava tudo normal, meio chato, tentando disfarçar os problemas, foi quando eu o vi e sua presença me iluminou, me resgatou!
Meu pedaço de sorte!
 
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