O herói da minha infância. O homem que ia me pegar na escola nas sextas-feiras e estacionava o carro longe pra não fazer engarrafamento na saída da aula. O que me levava ao parque, cheio de criança no carro, e brincava de explorar. O que me contava histórias desde que eu era neném de colo. Diziam que eu não entendia, mas ele insistia sempre dizendo que um dia eu ia entender e já teria todo o repertório na minha cabeça. O jornalista que me levava nas redações e me fazia fazer correções gramaticais nos textos, a pegar material cru de agências de notícias e adaptar para ser publicado, e juro que já teve matéria que saiu exatamente como reescrevi! O homem que me contava histórias do seu tempo como clandestino na luta armada, da suas prisões e torturas. O homem que me ensinou a ponderar as coisas, a ser mais leve. Que escrevia peças de teatro para que eu encenasse com meus vizinhos de condomínio. Que me deu de aniversário de oito anos meu primeiro livro pr'eu ler só (O Menino do Dedo Verde). Lembro dele começando a ler, me empolgando, parando e dizendo que se eu quisesse saber mais teria que ler só, e assim o fiz! O homem que não envelhece, que não tem rugas e que me dizia que idade é estado de espírito.
Durante esses anos que estive longe nunca deixei de sentir sua falta, nem nunca deixarei.
E posso nem saber demonstrar isso direito.
Você e minha mãe foram, são e serão os melhores pais que eu poderia ter.
Pai, eu te amo.

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